O “Dabke” em árabe دبکة, vem do que era conhecido como o “Grande Sham” ou “Grande Síria”, hoje esta região não existe mais. Mais tarde, essa região foi dividida nos países que conhecemos hoje como Síria, Líbano, Palestina e Jordânia.
Cada país contribuiu com muitos estilos e variantes para dar-lhe uma grande amplitude de habilidades, figuras, coreografias, roupas, instrumentos e até elementos para dança, como bastões, lenços e espadas. Um dos elementos mais populares é o “Masbaha” (contador ou rosário), este é levado na mão pelo “Awal” (do árabe “primeiro” aquele que é o primeiro da fila, que puxa a roda) que o gira em sua mão direita enquanto dançava.
O local de origem do Dabke não é conhecido exatamente. Acredita-se que tenha ocorrido na região de Jabali, na Síria, que é uma região montanhosa, e em Baalbek (Líbano), a leste de Beirute. Existem apenas conjecturas sobre as origens dessa dança. As tradições orais e familiares têm versões diferentes, uma delas é a que foi contada na minha família.
Nas aldeias serranas as famílias ajudavam-se mutuamente, toda a comunidade participava na construção das casas, os materiais eram barro, pedra, madeira e palha. Todos acompanhavam na campanha e sempre ao chegar ao telhado a tarefa era complicada, ou seja, os idosos, para garantir que não houvesse rachaduras, incentivavam os filhos e netos a subir. Havia a possibilidade de cair, por isso se deram as mãos e avançaram em fila. Se estava firme, começavam levantando os joelhos e batendo com o calcanhar em bloco, se ficasse firme avançavam um passo para frente ou para trás, repetindo a mesma tendência para verificar se tudo estava sólido. O tempo tornou isso habitual e a diversão veio da prática. Os mais velhos incentivaram, entre canções e poesia, instrumentos que ditavam o ritmo (alaúde, tabl, derbake, miwiz, etc.)
Vale esclarecer que o espírito alegre dessa comunidade castigada pelas guerras não diminuiu o brilho dessa dança imponente que cresce sem fronteiras no tempo.